segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Amores Platónicos (V)

Somos conjuntos opostos

Quando eu digo azul tu dizes vermelho
Quero ir à Austrália, tu preferes o Alasca
Todos se interrogam qual o porquê
 - somos opostos toda a gente o vê

preferes os dias frios e chuvosos
os densos bosques de carvalhos frondosos
prefiro a praia e os dias quentes
a água do mar e as areias ardentes

gostas de canções e poemas melancólicos
de teus entes queridos tens sempre saudade
gosto de quentes danças e ritmos
de florescer e cativar nova amizade

tu vês aquilo que mais ninguém vê
eu sei aquilo que mais ninguém sabe
tu sentes que eu sinto o mesmo que tu
eu compreendo o que queres dizer

pois isto é claro como da noite para o dia
que tu me atrais e eu te atraio também
mais ninguém sabe o que sinto por ti
és tu o Sol e eu a Lua meu bem.

Marco Valente (El Mariachi, Vila Nova de Gaia, 10/02/2001)

domingo, 14 de dezembro de 2014

Amores Platónicos (IV)

Alma Gémea

Não disfarço ocultas intenções
Que em meu corpo nascem germinadas
Sem acomodar tais ilusões
Que rompem ao alvor das madrugadas

Pois cantando o encanto de teu corpo
Tua mente de sonho e ávidas quimeras
Tu me inebrias e infliges um sopro
Uma lufada de cândidas primaveras

Vivo ligado numa teia de ternura
Pois tu me dás carícias e poesia
E algo mais prezo para além da formosura
A divina luz que de tua alma irradia

Como vencido e rendido a teus encantos
A meu lado partilhaste a minha vida
Foste bálsamo para todos os meus prantos
Eterna companheira prometida

Seiva divina em terra conspurcada
Libertaste-me de minha escravidão
De uma vida incerta, morta, inanimada
Transformando o ódio em perdão.

Marco Valente (El Mariachi, Vila Nova de Gaia, 19/02/2001)

sábado, 13 de dezembro de 2014

Amores Platónicos (III)

No dia em que...

No dia em que os pássaros voltarem a cantar
Escreverei para ti mais um verso
Presente em mim estarás ao deitar e ao acordar
Meu viver será do presente o inverso

No dia em que a Lua brilhar no firmamento
Sem nuvens que escondam sua luz
Dentro de mim será mais forte o sentimento
Que da noite és a rainha que me seduz

No dia em que uma criança partilhe o seu sorriso
E que a memória da pureza renasça dentro de mim
Posso dizer que estarei no Paraíso
E para todo o sempre quererei viver assim

Nesse dia gritarão as próprias pedras
E os montes, esses gigantes adormecidos
Que o Homem que a Terra viu nascer
Está novamente no mundo dos vivos.

Marco Valente (El Mariachi, Vila Nova de Gaia, 30/01/2001)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Amores Platónicos (II)

Promessa de Amor verdadeiro

Ainda me lembro
Das promessas que fizemos
Naquele mês de Abril
Promessas ? Uma, cem, mil !!!

Os sorrisos, os olhares que trocamos,
O início, em que ambos lutamos.
Mas a força que nos unia, era simples magia
Eu já amava e tu ainda apaixonada
Uma,,, nossa relação... que utopia

Trocávamos juras eternas de amor e fidelidade
Eu já fazia planos p'ra um futuro
Pois o presente toldava-me os sentidos
Não me importava com a idade

Mas um país velho e caduco
Onde fomos ambos nascer
Não quer o Amor, mas sim luto
Não vence, faz-nos perder.

Ainda não podes ser minha
Só quero, mas não posso ser teu
E o escárnio e maldizer o nosso Amor já perdeu.

As horas passam e os dias, vazios sem terminar
Guardam feridas e o tempo... nunca as irá apagar
Sei que não foi por ti, não me querias magoar
Sei que é fácil neste mundo desistirmos de lutar

Não sei porque o fizeste ou talvez não o consiga aceitar
Sim já sei que não me amas, sim eu continuo a te amar
Talvez uma secreta esperança, talvez... ainda me faça sonhar
Não queres que te ame Amor ?
Peço-te... deixa-me Amar.

Marco Valente (Vila Nova de Gaia, 15/11/2002)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Amores Platónicos (I)

Inicio aqui uma série de poemas escritos entre 2001 e 2002 (outros sem data mas da mesma década), versando acerca da temática de Amores Platónicos, pois nos últimos tempos tenho verificado que (para algumas pessoas) todo o Amor é efémero, pelo menos do seu ponto de vista e a traição e inversão de valores é o que conta.
Sob o pseudónimo de El Mariachi (personagem interpretada por Carlos Gallardo no filme de 1992 realizado por Robert Rodriguez), escrevi estes versos que sempre mantive como pessoais, até hoje.
Acho que o abandono, desprezo e traição a que fui votado ajudou a reviver todos estes tempos...
Será que não há mesmo Amor Eterno.... serei eu sempre um Great Gatsby que só encontra Daisys no seu caminho? Quem sabe.... um dia.... a Lua que pensava já ter encontrado e que era a meu ver Eterna, me apareça ao caminho e possa verdadeiramente ser feliz... Até lá.... Ficam estes Amores Platónicos.

Beleza perdida - e encontrada
(Quatro Estações)

Eras jovem e bela Primavera
Mil sorrisos nasciam em teu rosto
Flor mais bela que ao mundo a mãe dera
Flor de noiva em grinalda posto

O Verão em teu corpo esbelto
Em mim soltava ondas de paixão
E teus seios opulentos - meu prato predilecto
Sol de desejo e sensação

Com o Outono fria não ficaste
Árvore de verde despida
Enrugada mas jamais sem vida
Confirmavas o Amor que germinaste

Ao chegar o fim da caminhada
De andares pelo Céu e pelo Inferno
Em teu sorriso vislumbro minha amada
A Primavera que virá após o Inverno.

Marco Valente (El Mariachi - Vila Nova de Gaia, sem data)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Dedicado a todas as Mães verdadeiras deste Mundo (especialmente a minha)

O poema que seguidamente coloco online (não que seja um mestre da dialéctica ou da poesia) serve de homenagem aquela Mulher, aquela Mãe que sempre me Amou sem impor condições e verdadeiramente.
Porque Amar é aceitar o outro com seus defeitos e qualidades sem nunca o abandonar e porque infelizmente vivemos numa sociedade de burguesas e burgessas criaturas parasitárias, que nos roubam os sonhos.
Seres mimados, que nunca passaram fome nem sacrifícios e que ao primeiro desaire abandonam quem deveriam proteger e Amar.
Amo-te minha Mãe e sempre te amarei por toda a Eternidade.
Se hoje sou quem sou a ti o devo (a meu Pai também) e a mais ninguém.

Mãe
(Maria Isabel de Gouveia Valente - 10/06/1943 a 30/11/2014)

Quem foi aquela que quando me viu
pela primeira vez chorando nu e frio
logo me aconchegou, logo me sorriu
e em seu regaço com Amor me cobriu?

Quem foi aquela que quando eu corria
com um desvario, tropecei cai rompendo num pranto
logo a correr me veio valer
e me acalmou com um doce e suave canto
e sempre que eu caia logo me valia?

Quem foi aquela que me ensinou
a fazer letrinhas no meu caderninho.
Que sempre me viu como o seu pequenino
E sem nada em troca pedir, este ser Amou.

Quem foi aquela que nas dificuldades
Tudo suportou, passou necessidades
para que eu fosse Homem Bom e Justo
Com Valores, Princípios, com noção de tal custo?

Foste Tú minha Mãe Amada!!!
Mãe Querida, Doce e Adorada!!!
Ficou teu exemplo, ficou teu carinho
e p'ra sempre serei teu filho menino!

Autor: Marco Valente, Vila Nova de Gaia (escrita entre os dias 3 e 5 de Dezembro de 2014)

domingo, 30 de novembro de 2014

Alcunhas Madeirenses (II)

Uma professora que minha mãe teve no Arco de São Jorge (Santana, ilha da Madeira), nunca tratava os seus alunos pelo seu nome próprio.
Quando queria falar com algum deles ou chamar os mesmos para uma qualquer actividade, designava-os sempre por uma alcunha, tipo: "Maria da Fonte", "Tú que Fumas", "Caga nas Botas", etc...

Informante: Maria Isabel de Gouveia Valente, 71 anos, nascida no Arco de S. Jorge (Santana, ilha da Madeira) e a residir actualmente em Vila Nova de Gaia.

Nota: No século XVI, a população local desta freguesia era proveniente de Portugal Continental, nomeadamente do Minho e do Algarve. Teriam estes colonizadores levado consigo também esta forma de apelidar, diferenciando e tornando únicos, os indivíduos ?
Recordo-me que ao recolher nos livros das Imposições (salvo erro do século XVIII 1736 a 1738) - impostos pagos na alfândega do Porto sobre as pipas de vinho que entravam por via fluvial na cidade - para um trabalho efectuado para a Cadeira de História da Cidade do Porto (Curso de Licenciatura Pré-Bolonha em História - ramo Educacional) informes sobre esses impostos, colocava sempre nas observações informes acerca do nome do Barco, os Arrais, etc...
Verifiquei então, que muitos possuíam alcunhas, algumas já herdadas de família, tipo: "O Laranjo" e muitas outras. Para quem se interessar por esta temática, fica a sugestão de consulta. Esses mesmos registos, na década de 90 do século passado, estavam presentes na Casa do Infante, Arquivo Histórico Municipal.
Deixamos aqui estes pequenos apontamentos, para que o estudo geral nacional acerca destas problemáticas tenha assim mais este pequeno contributo.