sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Alcunhas Alentejanas (XV) Quando o Alentejo e a Catalunha ficam tão perto….. já ali.

Quando o Alentejo e a Catalunha ficam tão perto….. já ali.

Procedendo a trabalhos de recolhas de alcunhas por terras de Pias (e demais elementos arqueológico/etnográficos), deparei-me com uma alcunha pouco comum, pensava eu, para esta terra, “Prim”.
Quem seria esta figura, ou este local (segundo testemunhos vindos de Moura, Prim teria sido um local).

Joan Prim i Prats, foi – no dizer de Antonio Ballesteros – “El hombre de Estado más hábil del siglo XIX”.
Nascido em Reus, a 16 de Dezembro de 1814, faleceu, assassinado em Madrid a 27 de Dezembro de 1870.
Foi um militar e político espanhol progressista muito influente no século XIX.
Deixo aqui o link para a Wikipédia (que com todos os erros que possa possuir ainda se vai revelando, de quando em vez, um ponto de partida inicial para muitas e profícuas pesquisas):


E outra publicação online, que mais fácil se torna em termos de consulta, para quem quiser saber mais acerca desta figura histórica:


Sabemos que o General Prim, fugido das tropas espanholas, entregou as armas, cavalos e arreios ao Administrador do Concelho de Barrancos, Manuel Cláudio Pulido, em 21 de Janeiro de 1866. Ainda hoje podemos observar no Museu Arqueológico e Etnográfico de Barrancos, a Espada do General Prim, da qual passamos a descrever, como podemos observar no dito Museu:

“Espada do General Prim
Período: Século XIX (1857)
Marca: Fª D: Toledo
Características: Espada espanhola, modelo de 1846 de tropa de cavalaria de linha. Lâmina de 86 [cm] com inscrição “Fª D: TOLEDO 1857”
Depósito temporário do Sr. Francisco Cândido Pulido”

Verificamos que em Pias [de acordo com informação presente na seguinte obra BORGES, Luís Figueira (1986): Monografia de Pias, Ed. do Autor, (s/l)] o General Prim teria pernoitado uma noite, com o seu séquito e que alguns deles poderiam ter ficado em Pias.
Teria nascido aqui e assim a dita alcunha? As pessoas mais idosas ainda se recordam de existirem em Pias dois irmãos de seus nomes, Domingos Prim Estrela e Manuel Prim Estrela, possuidores da alcunha que teria perpetuado assim a memória do dito General Prim e/ou seus seguidores liberais e progressistas.
Também por Moura, essa passagem de Prim pelo nosso País ainda estava bem viva na memória das pessoas mais idosas. André Lopes Infante Ferreira, 38 anos e a residir em Moura, afirmou-nos que em Moura, quando há uma grande confusão, as pessoas mais idosas, na casa dos 70 anos, costumam ainda hoje dizer: “Eh Pá ! Isto parece a Guerra do Prim!”. A pessoa a quem ele mais escutou dizer tal expressão era uma mulher natural de Brinches, mas a residir actualmente em Moura.
Assim, observamos ainda, que na memória popular, a figura deste militar e estadista catalão, ficou impressa nestes testemunhos, expressões e mesmo alcunhas.
Como teia de Ariadne, parecemos estar assim todos interligados em termos de Memórias, como a célebre “Teoria dos 6º”, e que não somos assim tão diferentes uns dos outros. Basta ir puxando o fio certo, que os novelos se vão assim fiando e tecendo vestimentas com as quais trajamos a nossa Memória colectiva.
Mais novidades em breve se seguirão, quanto a este Projecto e outros. Porque também Pias merece fazer parte das nossas memórias, sempre.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Episódios Caricatos (V)

Numa aula de mecânica (para obter a carta de condução) em Setúbal, o Sr. Manuel Alcântara Caldeira, 70 anos, nascido e criado em Pias, ouviu contar o seu instrutor, o Sr. Guerra, esta estória caricata pela sua autenticidade nos aspectos factuais.
Estória que ilustra bem uma época. Ainda governava o Marcelo Caetano e certas coisas eram proibitivas, mas este Instrutor não teve medo de contar esta estória à rapaziada ali presente.

Guião para auxílio à visualização do vídeo anexo:
video

Sr. Manuel: “No Liceu, numa aula de História, o Professor perguntou a um aluno:
«Diga-me Augusto, qual foi o Português que ao longo de toda a sua vida lidou mais de perto com os Santos?»
(Parou por um bocadinho, né?)
O aluno pensou durante alguns instantes e por fim respondeu:
«Foi Henrique Galvão Senhor Professor.»
«Ora essa!» Admirou-se o Professor. «Então porquê?»
(Resposta do aluno):
«Porque nasceu em Santa Maria, dia de Santa Catarina, frequentou a escola de Santa Filomena, morava no Campo de Santa Ana, deu uma queda em Santa Bárbara e foi socorrido no Hospital de Santa Teresinha. Esteve internado na prisão do Hospital de Santa Maria, de onde fugiu no Dia de Todos os Santos.
Assaltou o Paquete Santa Maria ao qual lhe pôs o nome de Santa Liberdade. Passando pelas ilhas de Santa Lúcia, a caminho das Terras de Santa Cruz (Brasil). Fixando residência em São Paulo, na Rua de Santa Teresinha, donde viveu preso por causa de um Santo António (de Oliveira Salazar) que residia em São Bento e era natural de Santa Comba Dão!».

(Risadas)”

Recolha e video: Marco Valente

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Expressões da Linguagem Popular (VI)

"Quem não gostar que limpe o garfo!"

É como a questão do "Ovo de Colombo", pode-se fazer sim, mas primeiro é necessário pensar antes de o fazer.
E quem não gostar da maneira como foi feito, tivesse feito de outra forma.
"Quem não gostou, que tivesse gostado!"
Informante: Francisco José de Oliveira Domingos, 48 anos, nascido e criado em Serpa.

Expressões da Linguagem Popular (V)

"As migas se acabam e o pessoal deixa de comer!"

Eram as migas do João Lopes, em 1950. Estavam a fazer umas migas para o pessoal que estava a trabalhar e as ditas migas não chegavam para todos.
Daqui nasceu esta expressão.
Informante: Francisco José de Oliveira Domingos, 48 anos, nascido e criado em Serpa.

Expressões da Linguagem Popular (IV)

"Quando o petisco era fraquinho, a malta mais velha diz: «É fome e cabelo grande!»"
"Nos inícios dos anos 60 existiam os Hippies, que eram postos à margem e os mais velhos diziam que era uma geração perdida. Era fome, trabalho está quieto e era malta de cabelo grande."
Informante: César Augusto Castro Tereno Coutinho, 37 anos, nascido e criado em Moura.

Expressões da Linguagem Popular (III)

"Isto é uma casa farta ! Os ratos quando se assomam aos armários vêm com as lágrimas nos olhos!"

Significa que nessa casa a miséria é tal, que os próprios ratos, não encontrando o que comer, vêm a chorar dos armários.
Informante: César Augusto Tereno Coutinho, 37 anos, nascido e criado em Moura.

Alcunhas Alentejanas (XIV)


César "Smith"

César Augusto Castro Tereno Coutinho, 37 anos, nascido e criado em Moura.
A alcunha vem do tio, Joaquim Coutinho, falecido com 50 anos, nascido e criado em Moura.
Esta alcunha nasceu por causa de um jogador do Benfica e de um golo que ele marcou numa final.
O tio andou a correr pela escola a gritar: "Golo do Smith!" "Golo do Smith!". E assim ficou.
O seu irmão necessitava de uma alcunha por causa do atletismo e também ficou o "Chico Smith".

Alcunhas Alentejanas (XIII)

"Chico Sintra"

Francisco José de Oliveira Domingos, 48 anos, nascido e criado em Serpa.
Os seus irmãos também "herdaram" a dita alcunha.
Sintra é alcunha que vem do tempo do pai (tinha a alcunha no B.I., entre parêntesis).
O pai era mesmo natural de Sintra, de São João das Lampas, daí a alcunha.
De seu nome José Domingos, falecido aos 79 anos de idade em Beja.