sexta-feira, 8 de junho de 2018

Poemas soltos (XIII)

Dedicated to Yca, my True African Love


When seeking nor fame, or glory,
To search all that is True
To hear both tale and story
Near to the Ocean blue


To share an open heart
while living day life dreams
To be at peace, at calm
It's easier than it seems

The smell of body and Soul
One Huge Love that was found
One taste so pure as Gold
You'll never go around

The roots are there before you
what proof is needed more?
Africa enchanted the Spirit
It left an open door

The almond eyes that bound
The smile, gesture, the hug
The tender kiss, her sound
You feel there's God above.

Marco Valente, 08-06-2018


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Poemas soltos (XII)

O doce e terno Olhar



A tristeza e a depressão
são marés que vêm e vão
mas teu doce e terno Olhar
é encanto que alegra sem cessar

Teu corpo macio, que ouso tocar
a todos os meus sentidos causa o despertar
Contigo, é estar noutro lugar
ousar viver, Amar após me apaixonar

E nossas peles, no calor fundidas
tocam bem lá fundo, duas almas adormecidas
O cheiro de teu corpo, que beijo com sofreguidão
causa no corpo meu, mil ondas de paixão

Quero correr, por montes e ladeiras
a todos dizer que o Amor não tem barreiras
Nem fronteiras, de raça, credo ou cor.
Se assim as tivesse, não seria Amor.

Teu doce e terno Olhar, quando em ti estou
levam-me a outro lugar, onde verdadeiramente sou
Como o Universo és Alegria em expansão
Como um átomo me entrego, pequenino em tua mão

Musa inspiradora, que abres de par em par
as asas do Anjo, que o mundo vil procura arrancar
Entre todos caminho guardando segredo
de um Amor oculto, desejo que não cedo.

E pões-me cânticos doces nos lábios
E danço passos constantes de ternura
És Melodia que trauteio com candura
Quando me enleio em tuas tranças, negros rios.

Em ti penso, a toda a hora, sem cessar
E o que mais me cativou, foi o teu doce e terno Olhar...
Marco Valente, 21 de Maio de 2018

Poemas soltos (XI)

"42º Aniversário"

Quatro décadas se passaram
infindos sonhos se afirmaram
imensos planos se adiaram
muitos amigos se nos juntaram

O sorriso do Velho-Menino ferreiro de Pias
Os acordes da guitarra do Técnico de Altura
Os luminosos cânticos em Farsi de Teerão
A Lhorona mexicana em mais uma versão

O chamarem-nos "Pai!", com emoção
Os nós... que imensas vezes nos deram no Coração.
O querer estar com alguém, sem saber de antemão,
que infinitas vezes despertaríamos dessa ilusão.

Unir forças desconhecidas, adormecidas...
Juntar peça por peça, diferentes vidas.
Jogar na incerteza do resultado final
Fazer sempre o Bem, era Fundamental!

Registar estória por estória, vidas, pessoas, sentimentos
Valorizar sorrisos, choros, cânticos e lamentos
Minha mente é o que me vale, ela será o meu sustento
E cantando pelas veredas, serei o Filho do Vento!

Marco Valente, 27 de Fevereiro de 2018

sábado, 5 de maio de 2018

Poemas Soltos (X)

The Advantage of Being Invisible
-The Emperor of the Night-



The worst monsters we fear the most are the ones we cultivate within our minds.
Why do we seek incessantly, dreams that should have come true decades ago?
In the cloak of invisibility we hide the most intimate desires.

And we think of all those who have passed through our lives and made us happy, in the awareness that, no matter what happens, Destiny will never smile again.
And we shout to Fate with all the strength we could muster in our lungs:
"No! I refuse to fall and not to rise again, to be unhappy and not to smile for Happiness, to hate, when all I want is to love and be loved!"

And we think that we will never return to the days of Glory.

Emperor of the Night I was, of the Paths and Streams,
Emperor of the Night I was, from the Mountains Dreams,
Emperor of the Night I was, from the Light of Light from Persia,
Emperor of the Night, I am from the Queen of Africa.

The Advantage of Being Invisible in the Eyes of Others
(of those who envy you, of those who hate you, of those who scorn you, of those who insult you), is that you will always be visible to those who truly love you, exalted you, become ennobled and woeful about you.

You live in secret, working incognito,
You expect this exile from sadness to be freeing you.
And the smiles around you ... those who are in fact real ...
They forever stay in Memory, never being sneaky.

A vantagem de ser invisível
-O Imperador da Noite-

Os piores Monstros, os que mais tememos, são os que cultivamos na nossa mente.
Porquê buscar incessantemente, sonhos que deveriam ter-se concretizado há já décadas atrás?
No manto da invisibilidade ocultamos os desejos mais íntimos.

E pensamos em todos aqueles que passaram pela nossa vida e nos fizeram felizes, na consciência de que, suceda o que acontecer, o Destino não mais nos voltará a sorrir.
E gritamos, ao Destino, com toda a força que conseguimos reunir nos nossos pulmões:
"Não! Recuso-me a cair e não voltar a erguer-me; a ser infeliz e não sorrir para a Felicidade; a odiar, quando tudo o que mais quero é Amar e ser Amado!"

E pensamos que jamais voltaremos aos dias de Glória.

Imperador da Noite fui, das Eiras e Ribeiras,
Imperador da Noite fui, dos Sonhos das Serranias,
Imperador da Noite fui, da Luz da Luz da Pérsia,
Imperador da Noite sou, da Rainha das Áfricas.

A vantagem de ser Invisível aos olhos de outros
(dos que te invejam, dos que te odeiam, dos que escarneiam de ti, dos que te insultam), é que para Sempre serás Visível, para os que verdadeiramente te Amam, te Enaltecem, te Enobrecem e Saudosos de ti ficam.

Vives em segredo, incógnito trabalhando,
Esperas que o degredo te vá da tristeza libertando.
E os sorrisos em teu redor... aqueles, dos verdadeiros...
Ficam para a Memória, nunca sendo sorrateiros.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Fantasmas, vultos e sombras (VIII)

Fantasmas, maus espíritos (Chipoko)

"Tia" Joana, 49 anos, Moçambique


Essa história eu ouvi dizer por pessoas, com pessoas a dizer eu ouvi.
No mato aí, existe essas coisas aí.
Existe essas coisas, Chipoko.
Existia para pessoas que andavam de noite, há muito tempo não existia essa coisa de carro, muita gente andava assim a pé.
Às vezes anoitecia, quando anoitecia encontravam aquilo de noite, perto do cemitério. (18 / 19 horas).
Depois daí as pessoas ficavam assustadas.
Agora para aqueles que sabem, eles (Chipoko) podem permanecer, até que fica de dia, até amanhecer. Eles correm para um lado e aquilo corre para frente, eles correm para outro lado e aquilo corre para o outro lado, também para a frente.
Para aqueles que sabem eles levam fósforos. Acendem à frente deles e aquilo desaparece, quando se acendem fósforos aquilo desaparece, sim.

Fantasmas, vultos e sombras (VII)

O Fantasma que pede boleia


O Fantasma que pede boleia é uma história com elos comuns a várias latitudes geográficas e com raízes antiquíssimas[1].
Em Moçambique, também observamos a mesmíssima lenda urbana.
Consiste no seguinte, esta versão por nós escutada a Margarida de Fátima e registada a 01 de Março de 2018:

Margarida de Fátima Dina Shevo Brança, 31 anos, Moçambique


Era uma vez um senhor, aquilo de passear nas discotecas, sei lá o quê, e conheceu uma moça.
Conheceu, passearam, conviveram juntos, levou de boleia para em casa deixar. Deixou-a, emprestou o casaco e disse: “Qualquer dia que eu venho buscar o casaco!” Ela estava com frio.
Tirou o casaco dele, deu. Deixou-a em casa, à porta de casa mesmo deixou e o senhor foi-se embora de mota. Quando chegou, resolveu ao outro dia, vou buscar o quê? O meu casaco com aquela moça. Quando chegou, chegou a casa daquela moça, bateu à porta, pediu com licença e perguntou o nome daquela moça.
Disseram: “Essa moça morreu há muito tempo!” “Nós estávamos cá com ela!”
Disse: “Não! Eu há uns dias atrás estava com ela na discoteca, e eu emprestei o meu casaco a ela, porque estava com frio!”
Disse: “Não ela morreu há muito tempo!”
Disse: “Não também, por acaso eu emprestei o meu casaco e está com ela!!!”
Disse: “Para você confirmar, vamos ao túmulo dela!”
E foram ao túmulo dela e encontraram o casaco pendurado na cruz.
É quando ele ficou assustado.
A ideia é: “Não dou mais boleia a ninguém!”

Em Barcelos, foi recolhida nos anos 90 do século XX uma história similar[2] (esta versão escutei-a eu mesmo pessoalmente, no ano de 1995, mas com pormenores similares à versão de Moçambique e Brasileira).
No Brasil, a versão de Alagoas já é contada desde há mais de 100 anos.

Réplica da Capa Preta, da versão brasileira
 (adicionada posteriormente ao túmulo) - foto de Carolina Sanches


É como segue:
Conta a lenda que no início do século XX um homem conheceu em um baile uma bela moça por quem se interessou. A partir daí, os dois ficaram juntos durante toda a festa.
"A moça era linda. Quando deu meia-noite ela quis ir embora e falou para o rapaz. Estava chovendo e ele falou que a levaria em casa. O jovem então pegou a capa que trazia e a cobriu. Eles saíram e ela pediu que ele parasse na porta do cemitério, onde ela ficou. Mas antes disse o endereço", contou Antônio Fidelis dos Santos, 77, que faz serviços de limpeza no cemitério há 35 anos e mora no bairro desde que nasceu.
De acordo com a narrativa, o homem foi até a casa da moça. Lá, a família informou que não existia ninguém com o nome informado morando no local, mas que era como se chamava a filha que já havia morrido. Ele se recusou a acreditar no que ouviu e começou a achar que estava sendo vítima de uma peça. Depois de muita conversa, eles foram ao cemitério para que a família mostrasse o túmulo da jovem. Ao chegar no local, ele viu o túmulo e a capa que lhe pertencia em cima da cruz.[3]



[1] Numa história da Roma Antiga, conta-se que um certo Proculus, ao viajar numa estrada de Alba Longa em direcção a Roma (todos os caminhos vão dar a Roma), depois dos Romanos terem descoberto que o corpo de Romulus (lendário fundador de Roma) tinha desaparecido, este, encontra-o no caminho. Romulus explica-lhe então os segredos do Reino (como conquistar e governar o Mundo). Romulus ascende então ao Céu e Proculus, reconhecendo quem ele era, segue para proclamar o que lhe foi dito – Proculus significa O Proclamador. CARRIER, Richard (2014): On the Historicity of Jesus, Sheffield Phoenix Press.
[2] In http://www.lendarium.org/narrative/a-paixao-misteriosa-outra-versao/?category=96 [consultada a 02.03.2018]. Existem no entanto um total de 25 versões recolhidas em Portugal, maioritariamente da zona algarvia.
[3] In http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2013/11/lenda-da-mulher-da-capa-preta-faz-parte-da-historia-de-cemiterio-em-al.html [consultada a 02.03.2018]. Existe até um Bloco Carnavalesco inspirado por esta mesma Lenda, onde se homenageia a protagonista da Lenda em si.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Arte Rupestre (VI) Arqueologia (V)

"Monte da Capela 5" (Pias, Serpa) - Arte Rupestre (conjunto de fossetes)

Afloramento rochoso com Arte Rupestre (fossetes)

Os afloramentos rochosos com “covinhas”, aos quais nós, os arqueólogos também apelidamos de fossetes , são usuais, de Norte a Sul do País e de uma forma geral por todo o mundo.
Este tipo de elementos gravados surge no espaço de milénios e em locais tais como Menires, Povoados da Idade do Bronze, Castros da Idade do Ferro posteriormente romanizados. Afloramentos rochosos e outros diversos contextos. São das representações mais comuns em termos de arte rupestre.

Durante prospecções tidas na zona da actual Albufeira da Barragem de Pias, encontramos (nós e a equipa que nos encontrávamos a coordenar, a Dra. Maria João Marques e o Dr. Tiago Gil) um afloramento rochoso com a presença de algumas fossetes.
Umas mais evidentes do que outras, visto que o lento e inexorável passar do tempo e agentes atmosféricos, tais como o vento e a água foram desgastando a rocha e a mesma se viu coberta com líquenes.

Levantamento em manga plástica dos elementos gravados


Procedemos então ao seu levantamento em manga plástica, uma vez que o local em si ficou submerso pelas águas da Barragem de Pias (logo também protegido - pode ser que com o evoluir da sociedade actual, após o período de duração da Barragem de Pias, se algum dia as gravuras voltarem a ver a luz do Sol, esperemos que actos de vandalismo contra o Património sejam apenas testemunhos de um longínquo e triste passado).


Levantamento final


Pintadas a cor azul podem ser observadas as “covinhas” / “fossetes” que temos como certas. A vermelho as que levantam algumas dúvidas – devido à presença de líquenes na sua superfície. Foram executadas por abrasão (acto de esfregar continuamente um objecto duro na pedra para assim obter uma gravação) e com alguns indícios de picotagem (acto de picar com um instrumento de pequenas dimensões, como um pico, a superfície da rocha, deixando as marcas da ponta dessa ferramenta gravadas assim na dita rocha ).