quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Numismática (II) Arqueologia (IV) Campo Arqueológico de Pias (I)

Partilho artigo publicado (em Inglês) na Índia acerca de um Projecto que vem sendo delineado de há alguns anos a esta parte e que aos poucos se vai tornando visível em Portugal e no Estrangeiro.
Com a colaboração progressiva de imensos colegas de diferentes áreas do conhecimento humano.
Segue o link:Espero que gostem.

https://www.academia.edu/28503981/Animal_Depictions_on_Inedite_Archaeological_Artifacts_from_Pias_Serpa_Beja_Portugal_

Animal depictions on Inedite Archaeological Artifacts from Pias (Serpa, Beja, Portugal)

"The recent works carried out by the Portuguese State in Pias (Alentejo), with the construction of a complex system of irrigation and dams made of this a case study also in archaeological terms. Unpublished materials that are to be here the subject of study and deserved the preparation of this article also occurred because the animals represented in these form of objects are in some cases of extreme rarity: eagle, horse, bull, dog, wolf, goat, bird. Hundreds of coins and other materials mainly in bronze as dozens of new sites thus reflect the reality of a past that remained so far unknown to the communities. The animals that appear represented in many of these objects, thus coating its symbolic functions are in some cases even representations of divinity itself, such as the case of Ataegina / Ataecina. The present article shows how those days communities respect and identify with all the animals depicted in such a way."

sábado, 18 de junho de 2016

Numismática (I) Faro (I)

Numismas da Horta da Misericórdia (Faro): Catálogo Geral

Partilho aqui um trabalho que é fruto de um percurso longo e laborioso.

http://hdl.handle.net/10400.1/8416

Para todos os que se possam interessar por estas temáticas relacionadas com a Numismática em geral.
Deixo as palavras elogiosas que o Professor Doutor Luís Filipe Oliveira escreveu no Prefácio da obra em si, e que muito me honram e motivam na busca contínua da auto-superação diária e crescimento Humano e, enquanto investigador.
Que os trabalhos futuros que se avizinham tenham igual desfecho.

Prefácio

Não é frequente que um jovem investigador se disponha a percorrer duas vezes o mesmo caminho. A retoma de um trabalho anterior é tarefa entregue, quase sempre, a investigadores mais experientes. Só eles têm o saber, e, sobretudo, o distanciamento e a paciência necessárias para revisitar antigos textos e para os reformularem com base em novos contributos e em novas reflexões, ou a partir de um olhar e de uma perspectiva diversa, em proveito de todos. Só eles sentem, também, por vezes, o apelo da vida para recomporem a sua produção científica e lhe garantirem melhor futuro. Habitualmente, são outras as motivações dos investigadores em início de carreira, mais atentos às novas metodologias e às novidades de pensamento e de linguagem, ou à exploração de outros campos de pesquisa e de saber. A isso os convida, muitas vezes, a procura de um lugar e de uma voz própria, em confronto com a geração que os precedeu, por muito que esta lhes tenha aberto e preparado o caminho.
Mas não há panorama sem excepções, como sempre. Uma delas é o trabalho de Marco Valente que aqui se apresenta e no qual ele retomou, completou e reformulou, o estudo que serviu de base à sua dissertação de mestrado, apresentada e defendida em 2012 na Universidade do Algarve. Na ocasião, havia identificado uma colecção de 319 moedas, datadas entre os fins do século XII e os finais do século XV, todas saídas das escavações da Professora Teresa Júdice Gamito na Horta da Misericórdia, dentro da vila velha de Faro. Juntou-lhes agora quase outras tantas (281), igualmente provenientes do mesmo sítio arqueológico, além de um segundo volume de catálogo, com a fotografia, a identificação e a descrição detalhada de todos os numismas. Quanto mais não fosse, já era trabalho útil, mas também necessário, pois o desaparecimento da Professora Teresa Gamito não permitia recuperar os contextos arqueológicos das peças. Por tudo isso, a consulta e a leitura dos dois volumes de catálogo será certamente imprescindível para quantos se interessam pela história da cidade e pela ocupação da vila velha.
O Marco Valente quis ir, porém, ainda mais longe. Por certo insatisfeito com o texto que apresentara em 2012, decidiu em boa hora reformulá-lo, ampliando reflexões e corrigindo erros, ou melhorando algumas das identificações propostas. Entre estas, há que destacar a revisão do numisma então atribuído a Sancho I e que foi ora associado a Sancho II, um dos monarcas melhor representados nesta colecção. Também melhorou partes significativas das suas análises, quer em questões mais técnicas, quer no universo da interpretação histórica. Muitas das suas observações são merecedoras da melhor atenção dos investigadores, para as discutirem e avaliarem. Entre elas, importa citar as que respeitam ao aperfeiçoamento da arte de bater moeda durante a primeira dinastia, ou à provável existência de uma oficina de moeda em Faro, em época de Afonso V. Mas, sobretudo, aquelas outras sobre o elevado número de numismas de Afonso X de Castela presentes nesta colecção, e, em geral, sobre a importância da moeda castelhana que circulava nos mercados de Faro e do Algarve. Tudo isto parece anunciar um investigador experimentado, capaz de trabalhos de maior vulto.
Luís Filipe Oliveira

sábado, 4 de junho de 2016

Poemas soltos (IX)

À rapariga corvo

Perco-me todos os dias a pensar
Na doce candura desse teu sorriso
Num breve esgar vislumbro assim o Paraíso
Nunca me fartando, nunca… de o lembrar

Os beijos que anseio ainda por te dar
São pássaros que voam sem cessar
Às árvores onde repousas qual menina
Em tua pele ardente ao Sol-pôr

Pele escura, da noite campesina
Sombra que pela Luz se torna flor
E tuas pálpebras abrindo de par em par
Possam as estrelas da tua íris revelar

Prostrado, quedo-me assim a teus pés
Teus dedos frágeis, quais ornamentos de Altar
Sou pequena ave que ousa assim se aproximar
Daquela Fonte que hoje meu Mundo tu és.

Adormeço pedindo em meu rezar
De quem não sabe por vezes que falar
Ao certo uma verdade é quanto há
Todos os dias terei, saudades de saber onde está

O Anjo que com toques de violino
Vida voltou a dar a este passarinho
E qual Fénix erguendo-se renascida
Abraça a Luta daquela que lhe deu Vida

Marco Valente, 04-06-2016

Adivinhas (V)

Hoje acessório de distinção, tempos houve em que todos os possuíam, mesmo que meramente electrónicos e mais em conta.

Os Homens me dão Governo,
E aos Homens Governo dou,
Se eles se esquecem de mim,
O meu governo acabou.

Resposta: Relógio

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Antas (I) Etnografia (V)

Recolhemos e disponibilizamos a partir de hoje também, uma série de testemunhos de pessoas entre os 50 e os 70/80 anos de idade mas que tomaram parte em escavações arqueológicas no passado.
Para que Honra seja feita a estes trabalhadores que na altura eram meninos, mas nos quais estas experiências mostraram produzir efeitos para o resto das suas vidas, sendo até aos nossos dias recordadas com orgulho em alguns casos, nostalgia noutros, mas sempre com respeito, admiração e gosto em falar de tais assuntos.
Ficam nestes singelos registos a nossa homenagem a esses Homens e Mulheres anónimos (e em muitos casos meninos) que contribuíram com o seu labor ao longo dos tempos em prol da Arqueologia Portuguesa.
Sem mais delongas apresentamos seguidamente o pequeno excerto fílmico e respectiva legenda, para que todos os públicos possam tomar contacto com tais testemunhos.



Testemunho de menino que colaborou nas escavações da Anta do Zambujal (Vidigueira, Selmes) em 1979: 

Entrevistador:                  “Isto é uma coisa muito rápida[1], é só dizer o seu nome, como é que
soube aqui das escavações e… o que é que achou… da experiência?
Sr. Paulo Duarte:             “Eu não tenho a certeza bem da data disso… se
o senhor está dizer que foi em 79… mas eu não tenho.
Portanto, isso foi a seguir ao 25 de Abril e então começaram a…. Fez-se
lá o Centro Cultural… em S. Matias e arranjavam coisas para os jovens,
vá. A gente ajudou também lá nos trabalhos de… de construção do
Centro Cultural. E a depois apareceu lá um rapaz que não era dali
mesmo de S. Matias mas namorava com uma rapariga de lá e era
muito interessado com essas coisas. E depois o pessoal vá, quando
começou também ninguém ligava porque não tinha conhecimento do
que se calhar do… do que era… as coisas. E depois aquilo havia muito…
vá… rapazes novos né, outros mais velhos, já com, com mais idade e
começamosse a interessar por aquilo. Aquilo começou a dar
entusiasmo ao começar a fazer as escavações e a encontrar alguma
coisa. E depois atínhamos um grupo grande, pronto, vínhamos todos
os Sábados… era, acho que era ao Sábado. Vínhamos sempre para aqui  [Anta do Zambujal] escavar até que se encontrou ah… vá… tá lá, tá lá ainda uns sacos cheios de coisas ainda há lá muito…
Entrevistador:                  “Que idade é que tinha na altura? 13 anos?”
Sr. Paulo Duarte:             “Atão… eu nasci em 66, se foi em 79, tinha 13 anos p’raí… eu já não me
lembro bem, mas deve ser, nessa altura.”
Entrevistador:                  “Muitíssimo Obrigado pelo testemunho.”
Sr. Paulo Duarte:             “De nada.”

Entrevista efectuada a 27/05/2016, algures na freguesia de S. Matias, próximo ao Monte do Azinhal.
Ficheiro editado com o programa MovieMaker, em formato suportado pelo YouTube.
Entrevistado: Sr. Paulo Jorge Inácio Duarte, 50 anos.



[1] Contexto de formação em frente de obra, com pressão (no bom sentido) do “chefe de equipa”, para agilizar a entrevista em si e o trabalhador em questão retomar as suas funções o quanto antes. 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Poemas soltos (VIII)

À Chita (Acinonyx jubatus), animal indomável

Do Mar Mediterrâneo aos mares Cáspio e Aral
O seu reino já foi maior afinal

Quando era criança, queria correr como a Chita
As lágrimas negras e a face esbelta
As manchas no dorso adornando o seu corpo
Sonhara eu voar, correr sem parar

Nos documentários da BBC, ela era a rainha da Savana
Nomes de terras longínquas, que eu jamais ouvira até então
Afeganistão, Irão e até Uzbequistão…
Sons distantes que a terra abraça e emana

Da casa de um pobre miúdo de Gaia
Vogava eu assim no deserto onde o Sol raia
A sua cauda o meu leme, para estabilizar nas curvas
Horizonte longínquo, de linhas quentes bem turvas

Criatura mui nobre, das suas presas temível
Em estado de caça, usava o seu corpo flexível

E então aprendi, que no Mundo afinal
Ainda existia assim tão nobre animal
Mais uma espécie, milagre da vida

Jóia do deserto, noiva prometida.

Marco Valente
(escrito a 26/05/2016, sonhado "A Long Time Ago in a Galaxy Far Away", após ver um Programa da BBC, salvo erro com Sir David Attenborough).

sábado, 21 de maio de 2016

Poemas soltos (VII)

A certeza do incerto

Na casa dos mil espelhos
Não há portas, nem janelas
Quatro fachadas erguidas
De rebocos já caídos

Nos jardins da casa dos mil espelhos
Houve rosas, houve flores
Risos, lágrimas, amores
Formosos Cisnes vagueando nos lagos

Uma mansidão sôfrega e débil
Atordoa a mente que já não sente
Os vidros partidos da casa dos mil espelhos

Boiando embalado pela corrente
Sonho com a casa dos mil espelhos
A casa que nunca foi da gente
E a incerteza é tudo certamente…

Marco Valente 21/05/2016